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Sábado, 4 de maio de 2002 O Estado de São Paulo

Na maioria dos homicídios, são usadas armas de fogo

Em ranking da OMS, o País é o 3.º colocado, com 48,5 óbitos por grupo de 100 mil adolescentes
MARTA AVANCINI

BRASÍLIA - As comparações com dados internacionais mostram que o padrão da violência que vitima o jovem e a sociedade brasileira em geral está ligado ao porte de arma de fogo. Enquanto na maioria dos 60 países analisados prevalecem as mortes por acidentes de transporte ou suicídios, no Brasil predominam os homicídios, com o uso de armas.

No ranking do homicídio juvenil, elaborado com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o 3.º colocado, com uma taxa de óbito de 48,5 por grupo de 100 mil jovens na faixa etária de 15 a 24 anos - atrás apenas da Colômbia e de Porto Rico. Quando se leva em conta a população em geral, o Brasil é o 2.º, perdendo apenas para a Colômbia. O ranking incluiu países que forneceram informações a partir de 1996 à OMS.

No Brasil, as chances de um jovem morrer assassinado são mais altas do que as do restante da população - e a probabilidade de que isso ocorra também é maior do que em muitos lugares do mundo. No ranking internacional, o País ocupa a 9.ª posição: um jovem que está na faixa etária de 15 a 24 anos tem 84,4 mais chances de morrer do que uma pessoa de outra idade. Nessa lista, estão à frente Malta, Ilhas Cayman, Porto Rico, Azerbaijão, Estados Unidos, Israel, Granada e Colômbia.

O País está mais bem situado, no entanto, nos rankings internacionais que avaliam as chances das pessoas morrerem em acidentes de trânsito ou cometerem suicídio, o que reforça a idéia de que os homicídios são o principal problema a ser enfrentado no Brasil. No ranking das mortes no trânsito, o Brasil é o 41.º colocado e no de suicídios está em 51.º lugar.

O estudo também mostra que apenas em 6 dos 60 países analisados o número de homicídios é proporcionalmente maior do que o de acidentes de transporte, incluindo o Brasil.

Quando a comparação envolve apenas os óbitos por arma de fogo, o Brasil é o primeiro colocado entre 24 nações cujas informações estão disponíveis. No País, a taxa de óbito por arma de fogo é de 18,7 por grupo de 100 mil habitantes - oito pontos acima do segundo colocado, os Estados Unidos.

Segundo a pesquisa, em média 31,9% dos assassinatos nos países estrangeiros envolvem objetos cortantes, enquanto no Brasil eles são 11,8%.