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Manifestos

Procura-se um Partido Político

Por Luiz Fernando Oderich

“Causa cívica procura partido político. Exige-se firmeza e determinação para atingir objetivos. Oferece-se – gratidão popular”.

A causa cívica do século passado foi à luta contra a ditadura. Uma ação do Estado gerava medo e punha todo povo atrás de cercas imaginárias. Hoje a causa inverteu sua polaridade. O Brasil virou a maior prisão do mundo por falta de ação efetiva do Governo e os inocentes vivem atrás de grades reais.

Precisamos de governantes sábios.Que governem o Governo! Que não se escondam atrás da desculpa da falta de verbas. Suando sangue o povo deposita 36% de tudo o que produz para que os administradores realizem suas ações. É lícito que eles pensem em cobrar os impostos de forma mais justa, mais honesta, mais equilibrada. É imoral pensarem em aumentá-los.

Mas não é tudo. Esses sábios devem se lembrar de que, se 36% vão para as AÇÕES, outro tanto segue para as OMISSÕES do Estado. São os pedágios; as escolas pagas; os planos de saúde; a previdência privada; os seguros dos bens; as tarifas globalizadas; os vigilantes; os condomínios fechados; carros blindados; a burocracia que as empresas têm de manter para atender às exigências legais.

Suprema ironia – com tudo isso, se quisermos uma praça reformada, um prédio histórico restaurado, um momento de cultura, um orfanato que funcione, um novo hospital – os cidadãos têm de correr o chapéu entre si, posto que, apesar de tudo o que pagamos, com o setor público não podemos contar.

Com o que já desembolsamos – urge prestar bons serviços. Urge pagar salários justos a todos servidores. Urge providenciar bons equipamentos, em quantidade farta e necessária. À arrecadação de primeiro mundo deve corresponder igual qualidade no serviço!

Os governantes devem usar um espelho como bússola. Procurar dentro de si todos os recursos. Corrigir os absurdos, enfrentar as distorções, punir os desvios, fazer economia, lembrando-se de que as despesas podem ter vários nomes: salários, soldos, aluguéis, faturas, precatórios.O governo não pode esquecer que o dinheiro é uma invenção humana, e só por um ser humano pode ser usado. Portanto, tudo o que for economizado numa rubrica é a fonte para ser gasto em outra. O aparente desemprego de um primeiro momento gerará a verba para novas contratações. Muda a natureza do trabalho, o agente que o realiza e o benefício que produz. A quantidade de empregos não.

Certa vez uma companhia aérea descobriu que suprimindo uma azeitona de suas refeições economizaria milhões de dólares. Imagina a quantidade de “azeitonas” que é desperdiçada pelo serviço público!

Precisamos de um partido político que lidere a luta de uma paternidade responsável. O aumento desordenado da população é fonte de miséria. A falta de uma sólida estrutura familiar, dela decorrente, é causa de desordem.

Precisamos de um partido que veja que a função do Governo é criar um ambiente econômico saudável, para que, via salários decentes, gere-se distribuição de renda. Ao Governo não cabe tornar-se uma máquina de arrecadar esmolas. O bom salário é reconhecimento de mérito. É orgulho. Esmola é sempre esmola.Preocupemo-nos mais com a solidão política do senador Paulo Paim do que com os protestos dos radicais tresloucados.

Precisamos de um partido que reconheça que a vida é cheia de paradoxos. Muitas vezes obtemos o efeito oposto ao desejado.Assim o amplo direito de defesa do indivíduo, deixa a sociedade indefesa. A permissividade gera a intolerância.

Ao final, se não for demasiado, é preciso que os administradores peçam desculpas por ter feito o povo pensar que a culpa era sua!