Jorge Damús Filho (*)
O tema me causa uma grande preocupação já há algum tempo, o que qualquer governo poderá proporcionar a uma população que em 30 anos dobrou. Para relembrar a todos em 1970 quando fomos campeões do mundo éramos 90 milhões. Você lembra da música....”90 milhões em ação pra frente Brasil, salve a seleção” , pois é, e nós dobramos a população brasileira, hoje somos 180 milhões de brasileiros. Será que existe um governo no mundo que possa fornecer a sua população que dobrou em 30 anos, toda a estrutura necessária para viver com dignidade, educação, moradia, segurança, saúde, lazer, empregos, garantia de vida, transporte, etc.....
É impossível ! Alguns países precisam de muito mais tempo para dobrar sua população, no caso, países da Europa vão levar para dobrar sua população 300 , 400 anos. Porque será que levariam tanto tempo? Não gostam de crianças? Não praticam sexo? Não estão crescendo e se multiplicando? Na verdade até por uma questão de cultura e educação entendem os governos e a população a importância de um planejamento familiar e da paternidade responsável para as gerações futuras desses países. O assunto é muito delicado, pois nosso país é predominantemente católico e o “crescei-vos e multiplicar-vos” pode estar sendo distorcido pela população. Um documento com o título “ A Missão da Família Cristã no Mundo de Hoje”, que é um texto de sua Santidade João Paulo II, nos diz:
“.....infelizmente, há no mundo muitíssimas pessoas que não podem referir-se de modo algum ao que poderia definir-se em sentido próprio uma família. Grandes setores da humanidade vivem em condições de enorme pobreza, em que a promiscuidade, a carência de habitações, a irregularidade e instabilidade das relações, a falta extrema de cultura não permitem praticamente poder falar de verdadeira família. Há poucas pessoas que, por motivos diversos, ficaram sós no mundo. Também para todos estes há um bom anúncio da família. Em favor de quantos vivem na pobreza extrema, já falei da necessidade URGENTE de trabalhar com coragem para se encontrarem soluções mesmo a nível POLÍTICO, que consistam ajudar a superar estas condições desumanas de prostração. É um dever que incumbe, solidariamente, à sociedade inteira, mas de uma maneira especial às autoridades pela força do seu cargo e das responsabilidades conseqüentes, assim como às famílias, que devem demonstrar grande compreensão e vontade de ajudar”.....
Outro trabalho importante é o do Concurso de Monografias para Professores “O Rotary e o Crescimento Populacional”, da Prof. Márcia Lanes Sampaio fala”....
Alguns defensores do controle da natalidade afirmam que as crianças são um ônus econômico para um país, porém ao contrário do que pensam, elas são a riqueza em potencial. Isso porque, caso estejam bem cuidadas, em termos alimentares e médicos e bem preparadas, em termos educacionais, elas poderão se transformar num dos mais poderosos instrumentos para o desenvolvimento econômico de seu país”.....
Concordo plenamente com a afirmação da professora, pois o que vejo em nosso país é que as nossas crianças não são bem cuidadas, abandonadas por seus pais, que não tem condições de cuidar de seus filhos com dignidade, produzindo um enorme ônus para toda a sociedade. Filhos nas ruas sem ter onde dormir,se alimentar, se educar, caminhando para a criminalidade.
Estamos passivos diante desses acontecimentos precisamos deixar o romantismo e a hipocrisia de lado e sermos realistas. A nós como sociedade temos a obrigação de pressionar nossas autoridades e nossos senhores que detem o poder em nossa Nação para a criação de programas eficazes de planejamento familiar, assim no futuro teremos, em nossas crianças um verdadeiro sentido para um desenvolvimento de todos e um caminho a seguir com expectativas, objetivos fortes para ser um cidadão de bem, e não um estoque empilhado e desordenado de país que geram seus filhos, sem uma paternidade responsável levando-os ao abandono empurrando essas crianças para a criminalidade, desesperança e acomodação, cada um da maneira que tiver sua chance.
Temos que ter o objetivo fazer a escultura de sua existência com os olhos no futuro, sabedoria, perseverança, fé e muito amor. Sem falsos valores, sem hipocrisia, sem discursos demagogos e utopia, necessitamos de um Programa de Planejamento Familiar – Paternidade Responsável ! Nossos governantes já deveriam ter sua visão de futuro voltada para a qualidade de vida de nossas crianças e adultos com os olhos voltados para gerações futuras de nosso país. Governantes, ONGs, parem de culpar a Sociedade pela omissão do Estado quanto ao Planejamento Familiar e a paternidade responsável. Planejamento Familiar já! Devemos isso às novas gerações que estão conosco agora e as futuras gerações, nossos filhos, netos e bisnetos.
(*) Jorge Damús Filho, pai do Rodrigo
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