Manifestos
Assassinato do Rodrigo 17/05/2005
Manifesto de Elizabeth Andrade, mãe do Rodrigo
Relato sobre meu filho RODRIGO DE ANDRADE BEZERRA:
Nascido em 13/07/88, sempre foi um galeguinho sapeca, bonito, forte, carinhoso, seu único defeito: nunca foi muito estudioso. Sempre passava de ano em dependência e 2 ou 3 matérias do ano anterior. Mas isso não o fazia menos querido pelos professores, diretores e demais funcionários da escola, porque sempre foi muito educado e carinhoso. Ganhava o carinho por seu jeito, ao mesmo tempo, meigo e maroto. Adorava música (seu gosto sempre foi muito eclético)- desde MPB até brega, passando por rock, pagode e demais ritmos que toda juventude gosta. Atualmente estava jogando vôlei e estava muito feliz porque tinha sido colocado como levantador e estava recebendo elogios. Estava doido para ter um jogo para que eu pudesse ir vê-lo em ação. Nesse dia, dizia ele, \"a senhora vai ver como seu filho é bom, não só com as meninas como no vôlei também. Eu vou jogar na Seleção Brasileira.\" Eu dizia - e iria fazer, que faria torcida organizada, gritando cada vez que ele pegasse na bola. Ele
dizia logo \"ai meu Deus, que mico!\".
No dia 17/05/05 ele, juntamente com seu amigo Diego, foram abordados por um menor de 16 anos que pediu o celular de Diego e quando Rodrigo disse que o revólver era de brinquedo, ele atirou acertando Rodrigo na cabeça. Diego atracou-se com ele e vários tiros foram disparados. Diego recebeu um à queima-roupa, o que o fez perder parte do pulmão direito e mais outros 2 tiros com menores proporções. O marginal recebeu um tiro na coxa, ficou 2 semanas hospitalizado e está no presídio de menores, sentenciado a 3 anos com direito a reavaliações a cada 6 meses.
A primeira reavaliação será dia 20/12/05. Isto ocorreu numa terça-feira. Rodrigo foi operado, na quinta entrou com morte encefálica e no sábado seu coração parou. Ainda tenho uma filha com 18 anos que está fazendo curso de Ciências Biológicas. É um amor de menina. Meiga, educada, estudiosa e muito forte, pois tem me dado muita força juntamente com meu marido. Acredito que eduquei bem meus filhos, mas o nosso mal é que não os ensinamos a serem maliciosos, o que esses marginais aprendem ainda no berço. Esse menino não é um menor miserável. Tem pai e mãe, estudava e não necessitava de estar na marginalidade. Seus pais sabiam que ele estava andando com más companhias e não fizeram o que deveriam fazer. O Estado deveria penalizá-los também por isso, pois eu cumpri minha obrigação social de educar meus filhos para não tirarem o que é dos outros. E o deles tirou o que era mais precioso do meu filho e de nossas vidas: a vida de Rodrigo. Não tenho mais condições de escrever agora.
Desculpem-me.
Elizabeth Andrade.