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Manifestos

Matéria publicada no Jornal Diário da Região - Osasco no dia 18/09/2003.

Na contramão dos interesses da população

Jorge Damús Filho (*)

Não sei o que acontece com nossos governantes e, a cada dia que passa, nós cidadãos de bem entendemos menos. Vamos analisar alguns fatos recentes para que possamos tentar entender o que está ocorrendo em nossas cidades, Estados e em nosso País.

Primeiro caso. Tempos atrás vimos o governador - talvez pressionado por vários organismos, pelas eleições, ou talvez mal assessorado - tomar a decisão de desativar o Carandiru.

Por conta desse ato, agora assistimos um verdadeiro rodízio de presos entre os distritos policiais da Capital e da região Metropolitana. É a insuficiência de vagas no sistema carcerário do Estado. As delegacias mantêm por volta de 7 mil criminosos em suas celas. Só esses números - se considerados -, seriam suficientes para impedir a desativação do Carandiru. Mas, o governador desconsiderou tais dados e demoliu parte do complexo.

Reportagens em jornais e nas TVs afirmaram que o presídio (Carandiru) ainda teria condições de manter aproximadamente 2,5 mil criminosos com segurança. O interesse da população - aquela que mora perto das delegacias e vive em constante apreensão por medo de fugas e resgates de presos - era a de que esses criminosos fossem transferidos para o Carandiru.

Seriam 2,5 mil homens retirados das delegacias e encaminhados para o complexo, proporcionando mais tranqüilidade à população e melhor desempenho dos policiais - que não mais seriam usados como babás de presos e poderiam dedicar-se ao esclarecimento dos crimes cometidos, que são muitos.

Segundo caso. No governo federal não é diferente. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez várias críticas e demonstrou estar insatisfeito na última quinta-feira, 11 de setembro. Ele está descontente com pessoas que lutaram a vida inteira para chegar ao governo e, uma vez no poder, não fazem 10% do que poderiam para realizar os projetos e, conseqüentemente, fazer o governo avançar.

Outra demonstração de insatisfação ocorreu em Feira de Santana (BA). Ele criticou indiretamente as pessoas de seu governo, que brigam por cargos públicos na Esplanada dos Ministérios. Visitando a Fazenda do Menor, que atende 5 mil crianças e jovens carentes em Feira de Santana, Lula disse que a iniciativa talvez não desse certo se estivesse nas mãos do poder público. "Uma coisa como esta talvez não funcionasse se estivesse nas mãos da prefeitura ou nas mãos do governo do Estado ou da presidência da República", disse. As afirmações do presidente se deram porque quando ele indica um diretor para tomar conta de um projeto, o indicado quer dez auxiliares, carro, telefones celulares. O indicado exige tanta coisa, que a "ajuda" dele fica mais cara do que o gasto que o governo teria com a política social ou com o projeto em questão.

Lula disse isso a uma platéia de 3 mil pessoas, em um ginásio de esportes, tomado por estudantes. Ora, um partido ou um presidente que estão há 23 anos loucos para ganhar as eleições e assumir o poder da Nação e que tinha, na maioria das vezes, a solução para todas as aflições do povo, como pode agora estar tão confuso, descontente e insatisfeito.

Faço uma comparação fictícia: Um país - aquele país pequenino subdesenvolvido da Europa - que declarou guerra contra os Estados Unidos e acabou ganhando, quando seu rei entrou na Casa Branca em Washington, vitorioso, perguntou a seus companheiros: "bom ganhamos a guerra contra os Estados Unidos e agora o que vamos fazer com esse país"?.

Terceiro caso. São as Comissões de Constituição e Justiça e os famosos Estatutos, como o ECA - único no mundo que permite que menores matem e estuprem e fiquem impunes. O estatuto os priva de liberdade por, no máximo, 3 anos, assassinando uma ou dez pessoas - que definem o futuro da sociedade.

Por exemplo, as comissões estavam discutindo o Estatuto do Desarmamento, alegando que o aumento da criminalidade está diretamente ligado às armas legais que existem no País. De repente decidiram que o cidadão honesto, que possui uma arma, é assassino.

Toda vez que esses - os famosos estatutos - surgem, podemos imaginar que vem coisa contra o cidadão de bem. O governador deve construir um presídio por mês para separar os criminosos dos cidadãos honestos que obedecem as leis. O presidente deve parar de fazer discursos e partir para a ação. A insatisfação que sente é fruto de suas escolhas. No caso em questão, maior competência será bem-vinda.

Para os parlamentares que compõem as famosas comissões e redigem os estatutos utópicos, o 'peso' das manifestações da sociedade, que precisam demonstrar suas vontades e suas opiniões. Isso deve e pode ser feito através dos fóruns de leitores, mensagens por e-mails, unindo amigos do bairro, do trabalho ou da comunidade em que convive. A verdadeira derrota do mal se dará quando os bons não se omitirem.

(*) Jorge Damús Filho, pai do Rodrigo
email: jorge@atequando.com.br