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Ocorrências

Danilo – 23/04/2000 – assassinado em Mongaguá


Solidário com a luta pela redução da maioridade penal, escrevo algumas linhas por desabafo de estar num país que despreza o cidadão de bem.
Meu filho Danilo, na época um jovem universitário de 17 anos, aceitou um convite de colegas para passar o feriado de Páscoa no litoral sul de S. Paulo, exatamente na cidade de Mongaguá. Era a sua primeira viagem sem a presença de adultos e parentes. Nunca estivera naquela cidade.
Preocupado pelo não retorno no domingo, eu e minha esposa Rosemary descemos a serra para verificar o que teria ocorrido. Ali iniciava um drama que persiste até hoje, pois encontramos todos mortos, com requintes de crueldade não descritos nem nos campos de concentração da 2º Guerra. O Danilo foi amarrado, amordaçado e torturado por horas, até a sua morte pelo seccionamento da jugular. Era 23 de abril de 2000.
Com o apoio de amigos a Polícia prendeu 2 assassinos e nada mais se apurou, mesmo sabendo que existem inúmeras perguntas sem respostas.
Recentemente a minha esposa enviou uma correspondência a Sra Maria Lúcia Alckiminn, primeira dama do nosso estado, mas como já se esperava não houve resposta.
O Governo atual não é sensível a guerra a que vivemos, apenas tratou de reconhecê-la para fins políticos.
Tenho certeza que a nossa luta não será em vão, principalmente no caso da redução da maioridade penal, onde os sociólogos de plantão e alguns psicólogos teóricos irão usar de todas as ferramentas para que o Brasil e a Colômbia sejam os únicos países "corretos" no mundo, já que só esses dois países adotam a maioridade penal aos 18 anos. Mas venceremos, tenha certeza. O cidadão não suporta mais.
Entendo a sua revolta, pois é inadmissível aceitar que o “menor”que subtraiu a vida do seu filho Rodrigo estará limpo aos 21 anos, ou seja : após 3 anos de “tratamento”. Enquanto isso Jorge, você levará flores no cemitério pelo resto da sua vida. Essa é a nossa realidade!
Encerro este transcrevendo o último trecho do editorial intitulado A LENDA DO GURI FRÁGIL , de José Nêumanne publicado no jornal O Estado de S. Paulo de 20.12.2000 , referente ao menor conhecido como Batoré, que se tornou assassino aos 13 anos e com 17 já respondia por 15 crimes de morte, mas considerado dócil e carente pelas entidades de direitos humanos:
Na Antiguidade, os gladiadores cumprimentavam César gritando :” Os que vão morrer te saúdam “. Os tempos mudaram e, em nome dos princípios civilizatórios que os aperfeiçoaram, nós, que não queremos ser as próximas vítimas de Batoré, exigimos do Estado que garanta nossas vidas, deixando de lado a lengalenga politicamente correta dessa gente bonita e falante e passando a punir os criminosos de acordo com a intensidade da brutalidade de seus crimes, e não pela brevidade de seu tempo de vida.