Cirlene Oliveira Randmer, viúva do Dr. Jefferson Gotfrid Randmer
Dr.Jefferson G. Randmer No dia 26 de outubro de 1999, dois menores tiraram a vida do meu marido de forma fria, cruel e brutal. Num assalto, renderam-no, ameaçando-o com arma, e , ao notarem que ele estava armado, não hesitaram em descarregar duas armas nele.
Ele estava com os braços levantados e dizia a um deles que poderia levar sua arma. Mesmo assim, executaram-no com dez tiros.
Ao receber a notícia que o pior havia acontecido, perdi um pedaço de mim, pois junto com o meu marido foram os meus sonhos, meus objetivos e minha vontade de viver. Juntos conhecemos o verdadeiro significado da palavra amor. Todos os nossos planos eram compartilhados. Quando os menores o arrancaram covardemente de mim, interromperam a minha vida. Agora tenho que começar do nada pois tudo que era feito a dois não tem sentido continuar sendo feito sozinha.
Meu marido, Jefferson Gotfrid Randmer, tinha 37 anos, estava iniciando uma carreira promissora de delegado de polícia, atualmente lotado no GARRA. Os menores de idade não pensaram sequer um segundo para desgraçar a minha família, pois sabem que são impunes.
Até quando vamos pagar com a vida devido a inimputabilidade deles?
Meu marido teve uma infância sem luxos, trabalhando desde os 14 anos de idade. Custeou seus próprios estudos, estudou exaustivamente para ingressar na carreira de delegado de polícia, que era seu sonho.
O que revolta a mim e a minha família é saber que há pouquíssimo tempo eles terão tudo de volta: sua liberdade, suas armas nas mãos, farão novas vítimas, destruirão novos lares, deixarão filhos órfãos, e viúvas sem sonhos.
O meu objetivo, ao ingressar nesta campanha é tentar brecar a atitude quase que instintiva que esses menores têm em matar.
É inadmissível que na era da globalização, INTERNET, mídia, um jovem de 14 a 18 anos não tenha consciência da conseqüência da sua ameaça quando tem uma arma na mão. Se ele sabe que a arma intimida, é porque ele sabe o que um tiro pode causar.
Onde estão os direitos humanos do meu marido e de minha família? Onde estão os representantes destes direitos que não acolhem os órfãos deixados pelas vítimas destes menores assassinos?
As estatísticas mostram que um menor de idade mata bem mais que um maior pois tem a certeza da impunidade. Espero que a sociedade se una e apoie esta campanha. Meu marido se foi, porém nós ainda estamos a mercê da maldade destes menores bandidos.